Orgasmo Cosmológico

Começo deitando-me sobre seu corpo, massageio seu pescoço com meus lábios, aperto e puxo devagar seu cabelo para trás, apalpo seus seios fartos e rígidos, meu sistema nervoso dá inicio a um colapso.

Desço dando mordidinhas no seu esplêndido corpo nu, lentamente retiro sua calcinha e ao contemplar seus lábios imensos e umedecidos minha boca saliva em regozijo. Aquele odor peculiar e característico de sua flora vaginal adentra nas minhas narinas me provocando uma leve arritmia cardíaca, é grosseiramente afrodisíaco.

Não hesito em abrir suas pernas bruscamente e inserir minha língua naquela escultura viva degustando cada centímetro de suas partes: pequenos lábios, grandes lábios e clitóris; guloso eu abocanho meu prato predileto. O tempero agridoce do seu ph dá um sabor irresistível que enlouquece meus hormônios e me mantém num estado de êxtase. Meu sangue circula com maior freqüência e então eu retiro meu músculo de sua vagina, volto à posição inicial e ao aproximar meu outro músculo de sua boca, agora enrijecido, introduzo nela devagar para não engasgar. Observo atentamente você lambendo e engolindo meu pênis sem mastigar (rs) empapuçando-o de saliva, seguro firme seu cabelo e penetro com mais força dentro de sua boca.

Agora vem a parte mais deleitosa, enquanto dou chupadas em seu pescoço, esfrego meu pênis sobre seu clitóris (up and down) e penetro lentamente na sua vagina. No começo fica apertadinho e estreito, mas quando ele entra por completo sua musculatura vaginal relaxa e então eu abro mais suas pernas e acelero o ritmo. Te puxo para beirada da cama pela cintura e continuo de pé na mesma posição para ficar ainda mais agressiva a penetração, o choque do meu quadris contra sua virilha faz um barulho de estalo.

Ecoamos leves gemidos, então eu peço baixinho para que fique na posição cachorrinho e empine seu bumbum delicioso na minha direção. Neste instante tenho uma visão encantada e edênica de sua vagina dizendo “venire fottermi” e seu ânus dizendo “ciao”. Eu respondo o olá com um beijo grego e com meu pênis pétreo e latejante vou de encontro com a sua vulva. Agrido-te colidindo com força meus quadris contra seu glúteo macio e branquinho. Em seguida, dou tapinhas na sua nádega direita com uma mão, e com a outra, aperto firme seu seio esquerdo redondo e imenso. Durante esse movimento eu começo a sentir meu fluído corpóreo correr dentro da uretra procurando uma saída, penetro ligeiramente aplicando mais força e então absolutamente tudo que estava em minha mente é devastado por segundos e o que resta é um big bang orgástico, diminuo o ritmo gradativamente e minha consciência se perde em algum lugar do universo enquanto inundo sua vagina com espermatozoides. Ao voltar para Terra, com a consciência no lugar, eu retiro meu pênis e te beijo na boca comemorando o prazer compartilhado.


por: JV

Meu Ópio

Meu músculo rijo lateja ao pensar naqueles lábios vaginais grossos com um odor farto de feromônios. Transbordo em fluidos. Regozijo em voz alta declamando luxúrias por ela.

Num universo sexualmente utópico, eu vôo até seu palácio como um espectro alado e excitado. Vou entrando lentamente pelo seu ventre, num deleite inefável e então apodero-se inteiramente de seu órgão genitor.

Essa intimidade sensível me lança pra uma atmosfera sexualmente inebriante, onde a vejo como um grande corpo celeste e eu um sedento explorador espacial.

Sinto-me como um peixe na zona abissal do oceano, nadando entre fendas rosadinhas de bordas espessas e fartas de um aroma extasiante.

Ao emergir para superfície, eu me encontro dançando no ritmo do mar sob fortes tempestades que ora o castiga com raios, ora saem abrindo o céu para lindos raios solares ou luares da meia noite

Ao contemplar tal paisagem, minhas brânquias imploram pelo oxigênio da água e me leva de volta à zona abissal que descrevera, onde encontro meu alimento predileto que me seduz com sua fragrância e sabor peculiar.

"Corpos vazios travestido de propósitos oníricos, almas póstumas inebriadas com efêmeras alegrias. Vede amigos, esse supérfluo e inequívoco capitalismo."

Decadência Ascendente (JV)

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ac/dc - Hell’s Bells

(via mudwerks)

O meu nirvana


No alheamento da obscura forma humana, 
De que, pensando, me desencarcero, 
Foi que eu, num grito de emoção, sincero 
Encontrei, afinal, o meu Nirvana!

Nessa manumissão schopenhauereana, 
Onde a Vida do humano aspecto fero 
Se desarraiga, eu, feito força, impero 
Na imanência da Idéa Soberana!

Destruída a sensação que oriunda fora
Do tacto — ínfima antena aferidora
Destas tegumentárias mãos plebéas —

Gozo o prazer, que os anos não carcomem,
De haver trocado a minha forma de homem
Pela imortalidade das Idéas!

- Augusto dos Anjos

Maldito Ciclo Vicioso

A sensação é de como se eu tivesse encarcerado perpetuamente à céu aberto, como se fosse enviado para o deserto do Saara sob liberdade condicional, pois é, na teoria é um tanto paradoxal.

Tenho duas opções: esperar até o veredicto final ou fugir. Fico agoniado porque não sei diferenciar qual é a mais fácil ou difícil, porque digamos que se eu espere o “veredicto final” será cômodo ficar estagnado nessa angústia, mas esse ócio é corrosivo e me destrói por dentro derretendo todo conforto. Se eu tentar fugir logo de inicio as circunstâncias dificultam, pois sem chave eu preciso encontrar alguma forma de quebrar o cadeado (sem ajuda ou ferramentas, só tenho meus dentes e membros) e por mais que eu arrebente o cadeado a tendência é piorar perpetuamente com as cobranças que serão impostas pela sociedade com o tempo. Existem muitas leis, morais, regras e pressão social, vejo que nossa “senhora liberdade”, apesar de livre, está perdida entre nós. 

Deixando de lado essa metáfora, o fato de eu deixar de ir para faculdade ou para o trabalho não quer dizer que estou me fechando para o conhecimento, preciso encontrar a saída dessa fobia social que me exclui do convívio e do mundo à fora. E claro, não confundam isso com visão cristã, por mais que seja inconsciente esse desprazer em viver esperando as coisas caírem do céu. 

Superar essa fobia não é como tratar um resfriado igual muita gente ignorantemente pensa que é, infelizmente só estou conseguindo exprimir isso aqui. Escrever se tornou pra mim uma necessidade imperiosa, não há ninguém nesse mundo que me entenda melhor que eu. Toda prosa e poesia, das mais geniais ou parcas como as poucas que tenho, ou foram feitas para o próprio poeta que a fez, ou foi fruto de uma experiência alheia. Sim, alheia. Não entendo essa falta de autenticidade que as pessoas tem de fazer tudo baseado em algum ponto de referência, se espelhar em ídolos ou qualquer figura que elas admiram como tentativa de ascender na vida achando que isso é o certo e ponto final. Não quero me contradizer, mas admiro a ideologia de certos artistas e concordo com algum deles até, a diferença é que eu não torno disto uma verdade absoluta ou exata como um calculo matemático. Tudo que se refere a humanas é questionável, a própria física newtoniana é questionável, sua teoria foi lapidada através de testes e suposições até encontrar o resultado, uma probabilidade quase perfeita assim como a teoria da relatividade de Einstein (que muito se é questionada por astrônomos hoje). 

Agora retomando ao ponto inicial, vejo que esse ciclo vicioso em que me encontro é, de acordo com livros de psicologia, uma crise existencial ou resultado de uma cronológica fobia social que não foi tratada com precedência e agora está me saturando de todas as formas e lados possíveis.

Espero algum dia ler este texto e rir dessa verborreia que fiz afogado nessa misantropia corrosiva e sufocante na qual não sei como sair. Enquanto isso, permaneço aqui como um naufrago sem saber se espera até morte que um navio surja no horizonte ou se vai a luta pra construir um barco que possa o conduzir sob mares perigosos até o continente. 

"A noite chega, como um traje de gala pra essa minha tão vaidosa insônia."

Brindando taças de clonazepam 

(JV)

"Quando retorno as palavras à mim,
reformuladas,
lapidadas,
Concluídas…
Me torno um leitor de minha própria escrita!"

Antítese Sintetizada (JV)

"Noites sem estrelas aumentam minha saudade por ti, sem luz pra preencher essa lacuna eu me embriago de whisky e mergulho na escuridão cósmica brincando com meus adornos líricos, nadando em semânticas abstratas de uma piscina metaforizada."

De: JV

Para: AP

"Singelos deslizes ortográficos, indiscretos tombos semânticos."

(JV)